Implantes Faciais: Quem Pode se Beneficiar?

Por Dr. Daniel Rodrigues — CRO-BA 7385 | Mestre, Doutor e Fellowship em Cirurgia Bucomaxilofacial

A face é composta por estruturas que funcionam em conjunto: ossos, tecidos moles, pele. Quando há deficiência de volume ou projeção em alguma dessas estruturas — especialmente no esqueleto facial —, nenhuma quantidade de skincare, exercício ou maquiagem resolve de forma permanente. É para esse cenário que existem os implantes faciais: um conjunto de procedimentos cirúrgicos que adiciona estrutura e definição diretamente sobre os ossos da face, com resultados definitivos.

O Que São Implantes Faciais

Implantes faciais são próteses biocompatíveis — fabricadas em silicone sólido, PEEK ou outros materiais de uso médico — posicionadas cirurgicamente sobre estruturas ósseas específicas do rosto para aumentar a projeção, o volume ou a definição de uma região. Não se trata de preenchimento dérmico injetado nos tecidos moles: o implante fica apoiado diretamente no osso, tornando-se parte permanente da anatomia do paciente.

As regiões mais frequentemente tratadas com implantes faciais em cirurgia bucomaxilofacial são o mento (queixo), o ângulo mandibular (a “quina” da mandíbula), o corpo mandibular e a região zigomática (maçãs do rosto). Em alguns casos, essas áreas são tratadas de forma combinada no mesmo ato cirúrgico, para um resultado de harmonização mais amplo.

Implante Facial x Preenchimento: Qual a Diferença Real

Essa é a comparação mais frequente — e a distinção é importante para quem está avaliando as duas opções.

O preenchimento com ácido hialurônico injeta material nos tecidos moles, acima do osso. É uma solução reversível, temporária (dura de 12 a 18 meses, na maioria dos casos), e adequada para ajustes sutis de volume. Em regiões onde a deficiência é discreta e o resultado buscado é moderado, o preenchimento funciona bem.

O implante facial resolve uma questão estrutural. Quando a deficiência de projeção é significativa — queixo muito retraído, ângulo mandibular pouco definido, maçã do rosto praticamente ausente —, o preenchimento exige volumes muito altos para simular o que o implante faz com precisão, o que aumenta o risco de resultado artificial e a necessidade de manutenções frequentes. O implante, por ser apoiado no osso e fixado com miniparafusos de titânio, entrega projeção estrutural real, permanente e estável — sem depender de sessões de manutenção.

A escolha entre os dois caminhos depende do quanto de estrutura o rosto precisa e das expectativas de longo prazo do paciente.

Quais São os Tipos de Implantes Faciais

Implante de mento: o mais comum, posicionado sobre a sínfise mentoniana (a região central do queixo) para projetar o queixo para frente e/ou para baixo, conforme o planejamento. Detalhamos esse procedimento no artigo sobre implante de mento.

Implante de ângulo mandibular: posicionado sobre o ângulo da mandíbula — a “quina” que separa o ramo vertical do corpo horizontal do osso —, para criar maior definição lateral da mandíbula e um perfil mais angulado. Detalhamos esse procedimento no artigo sobre implante de ângulo mandibular.

Implante de corpo mandibular: posicionado ao longo do corpo horizontal da mandíbula, para aumentar a largura ou a projeção do conjunto mandibular de forma mais ampla.

Implante zigomático: posicionado sobre o osso da maçã do rosto, para projetar a região de “maçã” e criar maior definição malar.

Esses implantes podem ser usados isoladamente ou em combinação — e o planejamento de qual região tratar, e como, é feito a partir de análise facial tridimensional individualizada.

Por Que o Cirurgião Bucomaxilofacial é o Especialista para Implantes Faciais

A colocação de implantes faciais é um procedimento inerentemente ósseo: requer conhecimento preciso da anatomia dos ossos da face, dos nervos que percorrem essa região (especialmente o nervo mentual, que emerge na região do mento e fornece sensibilidade ao lábio inferior e ao queixo) e das técnicas de fixação dos implantes sobre o osso.

O cirurgião bucomaxilofacial é o especialista cuja formação é centrada, desde a residência, na anatomia e na cirurgia dos ossos da face — maxila, mandíbula, órbitas, zigomas. As incisões para a colocação de implantes faciais são feitas, na maioria dos casos, dentro da boca, por vias já familiares a esse especialista. Esse é o mesmo profissional que realiza osteotomias mandibulares na cirurgia ortognática e reconstituições de mandíbula após trauma — a colocação de implantes faciais está dentro do mesmo universo técnico.

Quem Tem Indicação para Implantes Faciais

De forma geral, o perfil discutido em consulta envolve pacientes que apresentam:

  • Deficiência de projeção do queixo (retrogenia) que cria desequilíbrio no perfil facial;
  • Ausência ou pouca definição do ângulo mandibular, com desejo de um perfil mais angulado e uma mandíbula mais estruturada;
  • Hipoplasia malar — maçãs do rosto pouco projetadas que deixam a face com aspecto “plano”;
  • Insatisfação com resultados de preenchimentos repetitivos, buscando uma solução permanente;
  • Desejo de harmonizar a face após a cirurgia ortognática, quando um ajuste fino de projeção do mento ou da mandíbula pode complementar o resultado.

Não há indicação de implantes faciais em pacientes com crescimento ósseo ainda em andamento — assim como na cirurgia ortognática, o critério é que o desenvolvimento facial esteja concluído.

Material dos Implantes: O Que É Usado

Os implantes faciais modernos são fabricados em materiais biocompatíveis que coexistem com o organismo sem causar rejeição. Os mais utilizados são o silicone sólido — diferente do silicone gel das próteses mamárias, é um material firme, moldável e biologicamente inerte — e o PEEK (poliéter éter cetona), que oferece rigidez estrutural próxima à do osso. Em casos específicos de reconstrução, o titânio também é utilizado.

O cirurgião define o material e o modelo de implante mais adequado para cada região e cada caso durante o planejamento.

Como é a Cirurgia

As incisões para colocação de implantes faciais são feitas, na grande maioria dos casos, dentro da boca — sem cicatrizes externas visíveis. O implante é posicionado sobre o osso, no espaço entre o periósteo (a membrana que reveste o osso) e a superfície óssea, e fixado com miniparafusos de titânio para garantir estabilidade de longo prazo.

O procedimento é realizado em centro cirúrgico, sob anestesia geral ou sedação com anestesia local, dependendo da extensão do caso. Quando múltiplas regiões são tratadas, tudo pode ser feito na mesma cirurgia.

Recuperação

O inchaço é esperado nos primeiros dias e costuma reduzir progressivamente ao longo de 2 a 4 semanas. A dieta pastosa nas primeiras semanas é necessária para não tensionar a região operada. O resultado definitivo — com o inchaço completamente resolvido — costuma ser avaliado por volta de 2 a 3 meses após a cirurgia.

Perguntas Frequentes Sobre Implantes Faciais

Implante facial rejeita? Os materiais utilizados (silicone sólido, PEEK) são biocompatíveis e amplamente documentados na literatura. Rejeição verdadeira é rara. O risco mais relevante é infecção pós-operatória, que pode exigir remoção temporária do implante — situação incomum quando os cuidados pós-operatórios são seguidos.

Implante facial precisa ser trocado com o tempo? Em geral, não. Diferente das próteses mamárias, que têm prazo de revisão, os implantes faciais de silicone sólido e PEEK são projetados para ser permanentes, sem necessidade de troca programada.

Dá para combinar implante facial e cirurgia ortognática? Sim, em casos selecionados. Muitas vezes a cirurgia ortognática reposiciona os ossos, e um implante de mento ou de ângulo mandibular é adicionado para refinar o resultado — tudo no mesmo ato cirúrgico ou em momento posterior.

Implante ou preenchimento — o que é mais natural? Ambos podem ter resultado natural quando bem indicados e executados. Para deficiências estruturais maiores, o implante tende a ter resultado mais natural que volumes altos de preenchimento, já que está sobre o osso e reproduz projeção real de estrutura.

Considerações Finais

Os implantes faciais representam uma opção de harmonização permanente para quem tem deficiência estrutural da face — queixo retraído, mandíbula sem definição, maçãs do rosto planas — e busca resultado definitivo sem depender de manutenções periódicas. O planejamento correto, a escolha do material adequado e a execução por cirurgião com domínio da anatomia facial são o que define a qualidade e a segurança do resultado.

Quer saber se você tem indicação para implante facial? Agende uma avaliação com o Dr. Daniel Rodrigues em Salvador.

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(71) 3494-0909 | Av. ACM, nº 3244, Edf. Thomé de Souza, Sala 1121 — Pituba, Salvador/BA


Dr. Daniel Rodrigues — CRO-BA 7385 — Especialidade: Cirurgia Bucomaxilofacial — Cert. CFO [INSERIR ⚠️]


Referências

  1. Clínica Juno. Implantes faciais: tipos, materiais e indicações. 2024.
  2. BVS Odonto / Rev. Odonto. Mentoplastia: planejamento e técnicas cirúrgicas. 2010.
  3. Inface Clínica Cirúrgica. Cirurgia cosmética orofacial: implantes faciais em mento, ângulo mandibular e zigoma.
  4. Dr. Fabio Barros (CRO RJ 31728). Quando há indicação de implantes ou próteses faciais? 2026.
  5. Dr. Roberto Polizzi. Implantes faciais: queixo, mandíbula e bochecha. 2021.
  6. Resolução CFO nº 198/2019 — publicidade em odontologia. Conselho Federal de Odontologia.

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