Implantes de Mento (Queixo): Indicações e Resultados

Por Dr. Daniel Rodrigues — CRO-BA 7385 | Mestre, Doutor e Fellowship em Cirurgia Bucomaxilofacial

O queixo é um dos pontos mais determinantes do perfil facial — e um dos mais subestimados quando se pensa em harmonia da face. Um queixo retraído faz o nariz parecer maior do que é, apaga a definição da linha mandibular e encurta o pescoço visualmente. Um queixo projetado na proporção certa equilibra o terço inferior da face e dá estrutura ao rosto visto de qualquer ângulo. A cirurgia do mento — também chamada de mentoplastia ou genioplastia — é o procedimento que corrige essas proporções, e este artigo explica como ela funciona, quando é indicada e o que esperar em termos de resultado e recuperação.

O Que é a Mentoplastia

Mentoplastia é o termo técnico para qualquer cirurgia que modifica o tamanho, a posição ou a forma do mento — a região do queixo que forma o terço inferior da face. A modificação pode ser feita por dois mecanismos distintos, com indicações diferentes:

Por implante (prótese aloplástica): uma prótese de silicone sólido ou PEEK é posicionada sobre o osso do queixo, no espaço subperióstico, sem alterar o próprio osso. É o procedimento mais simples dos dois — menos tempo cirúrgico, menor agressão tecidual.

Por osteotomia mentoniana (genioplastia óssea): o próprio osso do queixo é cortado e reposicionado — para frente, para trás, para cima, para baixo ou para os lados — e fixado na nova posição com miniplacas de titânio. Permite movimentos em múltiplos eixos e maior precisão em casos de assimetria ou necessidade de movimento vertical.

A escolha entre as duas técnicas depende do quanto de projeção é necessário, da presença de assimetria e do contexto clínico de cada paciente — às vezes a mentoplastia é feita isoladamente, às vezes como parte de uma cirurgia ortognática mais ampla.

Quando o Implante de Mento é Indicado

A indicação mais frequente para o implante de mento é a retrogenia — o queixo posicionado aquém da proporção ideal em relação ao restante da face. Na avaliação clínica, o cirurgião analisa as proporções dos três terços da face (fronte, terço médio e terço inferior) e o perfil, verificando se o queixo está recuado em relação a uma linha de referência que passa pelo lábio superior ou pelo ponto mais anterior do nariz.

Além da retrogenia, outras indicações incluem microgenia (queixo muito pequeno em dimensão absoluta), perda de projeção relacionada à idade e assimetrias mentoniais leves. Para assimetrias mais acentuadas ou necessidade de movimentos verticais relevantes, a osteotomia mentoniana costuma ser preferida, por permitir ajustes mais precisos em múltiplos planos.

O implante de mento também é frequentemente combinado com cirurgia ortognática — quando a cirurgia reposiciona a mandíbula e o mento, mas um refinamento adicional da projeção do queixo complementa o resultado final.

O Nervo Mentual: O Detalhe Anatômico Que Define a Técnica

Um ponto técnico que qualquer paciente avaliando mentoplastia deve conhecer: o nervo mentual é o nervo que emerge de um forame (orifício) no osso mandibular, na região do pré-molar inferior de cada lado, e é responsável pela sensibilidade do lábio inferior e da pele do queixo. Durante a mentoplastia — por implante ou por osteotomia —, esse nervo precisa ser identificado e preservado com cuidado.

O conhecimento preciso da localização do forame mentual e das técnicas de proteção desse nervo durante a dissecção é parte fundamental da formação em cirurgia bucomaxilofacial — e é o que diferencia uma mentoplastia bem executada de uma com maior risco de complicações neurológicas.

Implante ou Osteotomia: Como Decidir

A tabela abaixo organiza as diferenças principais entre as duas abordagens:

Implante de mentoOsteotomia mentoniana
MecanismoPrótese posicionada sobre o ossoReposicionamento do próprio osso
ComplexidadeMenorMaior
Movimentos possíveisPrincipalmente projeção anteriorMúltiplos eixos (avanço, recuo, altura, lateralização)
AssimetriasLimitadoIndicado
ReversibilidadeRemovívelNão reversível
Risco de reabsorção ósseaPossível, geralmente pequenoNão se aplica
Indicação típicaRetrogenia sem assimetria relevanteAssimetria, movimentos verticais, casos combinados

Riscos Reais: O Que a Literatura Documenta

Qualquer procedimento cirúrgico tem riscos, e a mentoplastia não é exceção. Os mais relevantes incluem:

Parestesia temporária ou permanente: a manipulação da região próxima ao forame mentual pode causar dormência ou formigamento no lábio inferior e no queixo. Na maioria dos casos é temporária, resolvendo em semanas a meses. Em pequena proporção de pacientes pode ser persistente.

Infecção: como o acesso é feito pela boca, existe risco de contaminação pelo contato com a flora oral. É gerenciado com antibioticoterapia profilática e higiene oral rigorosa no pós-operatório.

Reabsorção óssea sob o implante: estudos de acompanhamento de longo prazo mostram que a pressão contínua da prótese sobre o osso pode causar erosão da superfície óssea em uma parcela dos pacientes, geralmente de pequena magnitude e sem sintomas. É um fator considerado na escolha entre implante e osteotomia em alguns perfis de paciente.

Deslocamento do implante: se a fixação não for adequada ou se houver trauma no pós-operatório, o implante pode se mover da posição original — situação que exige reintervenção.

Esses riscos são reais e devem ser discutidos abertamente na consulta de planejamento. A experiência do cirurgião com a técnica e a correta identificação das estruturas anatômicas são os fatores que mais influenciam a ocorrência de complicações.

Como é a Cirurgia

A mentoplastia por implante é realizada em centro cirúrgico, sob anestesia geral ou sedação com anestesia local. A incisão é feita dentro da boca, no sulco entre o lábio inferior e a gengiva — sem cicatrizes externas. O espaço subperióstico é dissecado com cuidado para identificar e preservar o nervo mentual, o implante é posicionado e fixado com miniparafusos de titânio para prevenir deslocamento. O tempo cirúrgico gira em torno de 60 a 90 minutos.

Recuperação

O inchaço na região do queixo e do lábio inferior é esperado nas primeiras semanas. A dieta pastosa é necessária por 2 a 3 semanas para não tensionar a incisão intraoral. A dormência temporária no lábio e no queixo é comum no pós-operatório imediato e vai cedendo gradualmente. O resultado começa a ficar visível quando o inchaço recua — geralmente entre a 3ª e a 4ª semana —, mas a forma final se confirma por volta de 2 a 3 meses após a cirurgia.

Mentoplastia Combinada com Outros Procedimentos

A mentoplastia é frequentemente realizada em conjunto com rinoplastia — a cirurgia do nariz. Essa combinação é eficiente porque queixo e nariz se equilibram mutuamente no perfil: um queixo pequeno faz o nariz parecer maior, e vice-versa. Corrigindo as duas estruturas no mesmo ato cirúrgico, o resultado de harmonia do perfil tende a ser mais completo.

Também é comum a mentoplastia como refinamento final após cirurgia ortognática, quando a nova posição dos maxilares cria uma proporção que pode se beneficiar de um ajuste adicional de projeção do queixo.

Perguntas Frequentes Sobre Implante de Mento

A prótese de mento é para sempre? É permanente — não tem prazo programado de troca. Em casos de infecção, deslocamento ou decisão do paciente, pode ser removida.

O implante de mento aparece na pele? Quando bem posicionado e do tamanho adequado, não. O implante deve ficar sobre o osso, sob os tecidos, sem criar relevo visível ou palpável indesejado.

Posso fazer implante de mento e minha mordida continua errada? A mentoplastia trata a aparência do queixo, não a posição dos dentes nem a relação entre os ossos. Se há problema de mordida ou discrepância esquelética relevante, a cirurgia ortognática é a indicação correta — a mentoplastia sozinha não corrige oclusão.

Depois do implante de mento, tenho que fazer manutenção? Não — diferente do preenchimento com ácido hialurônico, o implante é permanente e não requer sessões de manutenção.

Considerações Finais

O implante de mento é um procedimento com indicação bem definida, técnica estabelecida e resultado de impacto real na harmonia facial — mas exige planejamento criterioso, respeito à anatomia e alinhamento realista de expectativas. Para entender o panorama completo dos implantes faciais, veja nossa página geral sobre implantes faciais.

Quer saber se o implante de mento é indicado para o seu caso? Agende uma avaliação com o Dr. Daniel Rodrigues em Salvador.

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(71) 3494-0909 | Av. ACM, nº 3244, Edf. Thomé de Souza, Sala 1121 — Pituba, Salvador/BA


Dr. Daniel Rodrigues — CRO-BA 7385 — Especialidade: Cirurgia Bucomaxilofacial — Cert. CFO [INSERIR ⚠️]


Referências

  1. BVS Odonto / Rev. Odonto. Mentoplastia: planejamento e técnicas cirúrgicas. 2010.
  2. Acervo Mais / Saúde. Perspectivas estéticas entre mentoplastia e preenchimento. (materiais aloplásticos, nervo mentual, via intraoral.)
  3. Revista FT. Mentoplastia de avanço para correção de retrusão mandibular: relato de caso. (osteotomia mentoniana, fixação com placa, planejamento 3D.)
  4. Dr. Guilherme Lima. Mentoplastia: guia completo da cirurgia do queixo. (reabsorção óssea sob implante, diferença implante x osteotomia.) 2026.
  5. Dr. Guilherme Borges Manta (CRO-SP 108737). Prótese facial: mento e malar — indicação, técnica e recuperação. 2026.
  6. Dr. Celso Boechat. Mentoplastia: resultados, indicações e técnicas. 2026.
  7. Resolução CFO nº 198/2019 — publicidade em odontologia. Conselho Federal de Odontologia.

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