Por Dr. Daniel Rodrigues — CRO-BA 7385 | Mestre, Doutor e Fellowship em Cirurgia Bucomaxilofacial
“Meu queixo é muito para trás.” “Minha mandíbula fica pra frente quando fecho a boca.” “Meu rosto não é simétrico — um lado é diferente do outro.” Essas são queixas que chegam ao consultório de cirurgia bucomaxilofacial com frequência, muitas vezes depois de anos de acompanhamento ortodôntico que melhorou os dentes mas não resolveu o rosto. Este artigo explica o que são o prognatismo, o retrognatismo e as assimetrias faciais, por que a ortodontia tem limites nesses casos, e quando a cirurgia ortognática é a indicação correta.
O Que é Prognatismo
<cite index=”48-1″>O prognatismo é o oposto do retrognatismo, caracterizado pelo avanço excessivo da mandíbula em relação ao maxilar — o que pode resultar em uma aparência facial desproporcional e desafios funcionais.</cite>
<cite index=”45-1″>No prognatismo mandibular, a mandíbula é projetada para frente, causando uma aparência de “queixo para fora” e uma oclusão inadequada.</cite> Quando você fecha a boca, os dentes inferiores ficam à frente dos superiores — o que a ortodontia classifica como Classe III esquelética. Na face, o perfil se torna côncavo: queixo saliente, terço médio da face relativamente retraído.
Existe também o prognatismo maxilar — quando é o osso superior que está avançado em relação à mandíbula. O efeito no perfil é distinto: nariz proeminente, dentes superiores muito visíveis, lábios que não fecham espontaneamente em repouso.
O Que é Retrognatismo
<cite index=”48-1″>O retrognatismo é uma condição em que a mandíbula está posicionada atrás do maxilar superior, resultando em uma mordida desalinhada e um queixo retraído. Além dos impactos estéticos, o retrognatismo pode levar a problemas funcionais como dificuldades na mastigação, respiração e fala.</cite>
No retrognatismo mandibular — o caso mais comum —, o queixo recua visivelmente no perfil, os dentes superiores ficam à frente dos inferiores (mordida profunda, Classe II esquelética) e, em casos mais acentuados, os lábios inferiores ficam “encobertos” pelos superiores. Funcionalmente, o retrognatismo mandibular é uma das causas de apneia obstrutiva do sono, já que a mandíbula retraída estreita as vias aéreas posteriores.
Há também o retrognatismo maxilar — quando é o maxilar superior que está para trás. O resultado é uma face com aspecto “encovado” na região média, comum em pacientes com algumas síndromes congênitas ou sequelas de fissuras palatinas.
O Que São Assimetrias Faciais
A assimetria facial esquelética acontece quando os ossos de um lado da face cresceram de forma diferente do outro — resultando em desvio do queixo, diferença de altura entre os dois lados do rosto, ou sorriso “torto” que não se corrige com tratamento dentário. As causas incluem:
- Hipercrescimento condilar (côndilo de um lado cresce mais que o outro, empurrando a mandíbula para o lado oposto);
- Hipoplasia de um lado (um hemisfácio se desenvolveu menos);
- Sequela de trauma ou infecção na infância, que alterou o desenvolvimento ósseo;
- Causas idiopáticas (sem causa identificável).
<cite index=”47-1″>Em casos de assimetria por hipercrescimento condilar, o tratamento frequentemente envolve condilectomia alta — remoção da zona de crescimento do côndilo — associada à cirurgia ortognática para correção simultânea da assimetria facial.</cite>
Por Que o Aparelho Não Resolve Esses Casos
Esse é o ponto que mais gera dúvida e, muitas vezes, frustração em pacientes que passaram anos no aparelho sem conseguir o resultado esperado.
<cite index=”49-1″>Um erro comum no histórico de tratamentos desses pacientes é a tentativa de resolver a discrepância esquelética exclusivamente com aparelhos ortodônticos. O aparelho possui a função de movimentar os dentes através do osso alveolar, não a função de alterar o tamanho ou a posição do osso basal da maxila ou da mandíbula. Em casos de deformidades severas, tentar fazer os dentes se tocarem à força exige incliná-los para fora do seu eixo de estabilidade biológica. Esta prática, conhecida como camuflagem ortodôntica, não corrige a assimetria facial, não alarga a via aérea e frequentemente resulta em reabsorção das raízes dentárias e instabilidade da mordida a longo prazo. A discrepância de base óssea exige intervenção óssea direta.</cite>
Em resumo: aparelho move dente, cirurgia move osso. Quando o problema é o osso, a solução definitiva é a cirurgia.
Como Cada Deformidade é Corrigida Cirurgicamente
A escolha da técnica cirúrgica depende de qual osso está mal posicionado — e em que direção:
Prognatismo mandibular (mandíbula para frente): A mandíbula é recuada por meio de uma osteotomia sagital bilateral da mandíbula — corte nos dois ramos mandibulares que permite deslizar a parte anterior para a posição correta. Em muitos casos, o maxilar é avançado simultaneamente (cirurgia bimaxilar) para equilibrar o resultado.
Retrognatismo mandibular (queixo retraído): A mandíbula é avançada pela mesma técnica de osteotomia sagital bilateral, agora projetando o osso para frente. O avanço mandibular é também o procedimento com maior impacto nas vias aéreas: ao projetar a mandíbula, abre-se o espaço posterior da faringe, com benefício direto para pacientes com apneia do sono.
Deficiências ou excessos do maxilar: O maxilar é mobilizado por uma osteotomia Le Fort I — corte horizontal que separa o maxilar do restante do esqueleto facial e permite movê-lo em qualquer direção (para frente, para trás, para cima, para baixo ou para os lados). Em mordidas abertas, o maxilar é impactado (subido); em deficiências verticais, é rebaixado; em casos de protrusão, é recuado.
Cirurgia bimaxilar: Quando os dois ossos precisam ser reposicionados — o que é frequente em casos de maior discrepância ou em assimetrias —, as duas osteotomias são realizadas na mesma cirurgia. O planejamento virtual tridimensional é especialmente importante nesses casos.
Assimetrias: A correção envolve movimentos tridimensionais mais complexos — frequentemente combinando osteotomias maxilar e mandibular com rotações e ajustes de altura diferenciados entre os dois lados.
Como Saber Se Você Tem Indicação Cirúrgica
<cite index=”50-1″>As mudanças estéticas dependem diretamente do tipo de deformidade corrigida: em Classe II com retrognatismo, o avanço mandibular projeta o queixo e equilibra o perfil; em Classe III, o recuo mandibular e/ou avanço maxilar harmoniza o perfil côncavo; na mordida aberta, a impacção maxilar melhora a exposição dos dentes e o sorriso.</cite>
Mas determinar se você tem indicação cirúrgica vai além de olhar para o perfil no espelho. A avaliação formal envolve:
- Análise facial clínica pelo cirurgião bucomaxilofacial;
- Cefalometria — medidas angulares e lineares sobre radiografias específicas que quantificam a discrepância esquelética;
- Tomografia computadorizada 3D para visualizar os ossos em volume;
- Avaliação pelo ortodontista parceiro para verificar se há espaço para o tratamento ortodôntico pré-cirúrgico;
- Documentação fotográfica e de modelos digitais.
A combinação desses dados é que define, com precisão, se a deformidade é passível de correção ortodôntica isolada ou se tem magnitude suficiente para indicação cirúrgica.
Perguntas Frequentes
Prognatismo e retrognatismo são hereditários? Têm componente genético importante — é comum ver o mesmo padrão facial em vários membros de uma mesma família. Mas fatores ambientais (hábitos orais na infância, respiração bucal crônica) também influenciam o desenvolvimento dos maxilares.
Dá para corrigir prognatismo ou retrognatismo só com aparelho em adulto? Em adultos com crescimento já concluído, a ortodontia sozinha consegue, no máximo, uma compensação parcial — mas não corrige a posição do osso. Para deformidades de grau moderado a importante, a cirurgia ortognática é a única abordagem que trata a causa.
Qual a diferença entre cirurgia de queixo (mentoplastia) e cirurgia ortognática? A mentoplastia reposiciona ou aumenta apenas o queixo (osso mentoniano) sem mover a mandíbula como um todo — indicada para pequenas correções de projeção do mento. A cirurgia ortognática move a mandíbula inteira, corrigindo a mordida e o perfil de forma muito mais ampla. Em alguns casos, as duas são combinadas para refinar o resultado.
Assimetria facial sempre precisa de cirurgia? Assimetrias leves são normais e não têm indicação cirúrgica. Assimetrias moderadas a importantes, especialmente com componente funcional (mordida desviada, desgaste dentário assimétrico), costumam ter indicação de cirurgia ortognática.
Considerações Finais
Prognatismo, retrognatismo e assimetrias faciais são condições esqueléticas com impacto funcional e estético real — e, na maioria dos casos adultos, têm na cirurgia ortognática a única abordagem que trata a causa de forma definitiva. Para entender o processo completo de planejamento e como a cirurgia funciona, veja nossa página principal sobre cirurgia ortognática.
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Dr. Daniel Rodrigues — CRO-BA 7385 — Especialidade: Cirurgia Bucomaxilofacial — Cert. CFO [INSERIR ⚠️]
Referências
- Del Santo L. Retrognatismo e prognatismo mandibular: entenda a diferença e como tratá-los. 2025.
- SculptFace Odonto. Prognatismo e retrognatismo: entenda a diferença e como a correção transforma o rosto. 2026.
- Flório Odontologia. Cirurgia ortognática: técnicas, indicações, antes e depois. 2025.
- Freitas e Trigueiro. Cirurgia ortognática: cobertura do plano e direitos do paciente. 2026.
- Gustavo Suassuna — Cirurgia Ortognática. Casos clínicos de prognatismo, retrognatismo e assimetria.
- Psicologia e Saúde em Debate. Avaliação da eficácia da cirurgia ortognática no tratamento da assimetria facial. 2024.
- Resolução CFO nº 198/2019 — publicidade em odontologia. Conselho Federal de Odontologia.